Archive for dezembro, 2010

23 de dezembro de 2010

Vai Passar

por lnbrandao

“Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim – nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente – e não importa – essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás – aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
– … mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca …

 

Caio Fernando Abreu

21 de dezembro de 2010

META NA SUA CABEÇA

por lnbrandao

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21 de dezembro de 2010

TEMPO… LAVOURA ARCAICA

por lnbrandao

 

“O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor. Embora, inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento. Sem medida que eu conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza. Não tem começo, não tem fim. Rico não é o homem que coleciona e se pesa num amontoado de moedas, nem aquele devasso que estende as mãos e braços em terras largas. Rico só é o homem que aprendeu piedoso e humilde a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura. Não se rebelando contra o seu curso. Brindando antes com sabedoria para receber dele os favores e não sua ira. O equilíbrio da vida está essencialmente neste bem supremo. E quem souber com acerto a quantidade de vagar com a de espera que deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco de buscar por elas e defrontar-se com o que não é. Pois só a justa medida do tempo, dá a justa ‘atudeza’ das coisas”

(Raduan Nassar)

20 de dezembro de 2010

Pra Começar

por lnbrandao

Só para começar, ou melhor terminar, o seu primeiro pleito o nosso Digníssimo Governando eleito, W. M. fechas as gavetas da fazenda e não libera nada pra ninguém. Nenhuma secretaria ou orgão pode emitir pagamentos, os tais terceírizados demitidos assim que ele assumiu o cargo de Governador com a saída de W.D. foram em fim postos para fora como era seu desejo. O que nos leva a crer a necessidade que ele tinha/tem dessas pessoas em seu quadro de funcionários, haja visto que da primeira vez houve readimissão pelas proximidades das eleições e consequentemente pela intenção de se eleger Governador do Estado. W.M. não podia ficar sem mais de 5 mil votos, agora já esta com o dele garantido, grosseiramente falando, antes mesmo de começar seu novo pleito já mostrou ao que veio, primeiro: negou verba destinada ao Grupo Harém de Teatro, para realização de um importante Festival de Teatro para o país, fazendo pouco caso do Festival e do Grupo, consequentemente da cultura para o Estado, lembrando que o mesmo Grupo Harém demonstrou na campanha apoio e apreço a sua candidatura. E agora simplesmente resolve enxugar a folha do Estado colocando na rua aqueles que lhe foram tão importante nas eleições os mais de 5 mil eleitores que ele readimitil fazendo-se passar por compreensivo e deixa todo mundo as vésperas das festas de fim de ano na maior segurança do que nos aguarda o ano que vem.

Pensando bem, limpando esses terceirizados agora, ao mondar o secretariado para seu novo pleito, todos terão vagas para os seus. Não se pode negar que a artimanha politica no nosso Estado pensa mais em si do que nos outros.

19 de dezembro de 2010

“Pessoa na pessoa”

por lnbrandao

Alberto Caeiro

Novas Poesias Inéditas

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : “Fui eu ?”
Deus sabe, porque o escreveu

17 de dezembro de 2010

Um Conto de Natal

por lnbrandao

Maria das Dores se assustou. Mas se assustou de facto. Começou pela menstruação que nãoimages veio. Isso a surpreendeu porque ela era muito regular.Passaram-se mais de dois meses e nada. Foi a uma ginecologista. Esta diagnosticou uma evidente gravidez.

— Não pode ser! gritou Maria das Dores.

— Por quê? a senhora não é casada?

— Sou, mas sou virgem, meu marido nunca me tocou. Primeiro porque ele é homem paciente, segundo porque já é meio impotente.

A ginecologista tentou argumentar:

— Quem sabe se a senhora em alguma noite…

— Nunca! mas nunca mesmo!

— Então, concluiu a ginecologista, não sei como explicar. A senhora já está no fim do terceiro mês.

Maria das Dores saiu do consultório toda tonta. Teve que parar num restaurante e tomar um café. Para conseguir entender.

O que é que estava lhe estava acontecendo? Grande angústia tomou-a. Mas saiu do restaurante mais calma.

Na rua, de volta para casa, comprou um casaquinho para o bebé. Azul, pois tinha certeza que seria menino. Que nome lhe dana? Só podia lhe dar um nome: Jesus.

Em casa encontrou o marido lendo jornal e de chinelos. Contou-lhe o que acontecia. O homem se assustou:

— Então eu sou São José?

— E, foi a resposta lacónica.

Caíram ambos em grande meditação.

Maria das Dores mandou a empregada comprar as vitaminas a ginecologista receitara. Eram para o benefício de seu filho. Filho divino. Ela fora escolhida por Deus para dar ao mundo o novo Messias.

Comprou o berço azul. Começou a tricotar casaquinhos e a fazer fraldas macias.

Enquanto isso a barriga crescia. O feto era dinâmico: dava-lhe violentos pontapés. Às vezes ela chamava São José para pôr a mão na sua barriga e sentir o filho vivendo com forca. São José então ficava com os olhos molhados de lágrimas. Tratava-se de um Jesus vigoroso. Ela se sentia toda iluminada. A uma amiga mais íntima Maria das Dores contou a história abismante. A amiga também se assustou:

— Maria das Dores, mas que destino privilegiado você tem!

— Privilegiado, sim, suspirou Maria das Dores. Mas que posso fazer para que meu filho não siga a via crucis?

— Reze, aconselhou a amiga, reze muito.

E Maria das Dores começou a acreditar em milagres. Uma vez julgou ver de pé ao seu lado a Virgem Maria que lhe sorria. Outra vez ela mesma fez o milagre: o marido estava com uma ferida aberta na perna, Maria das Dores beijou a ferida. No dia seguinte nem marca havia.

Fazia frio, era mês de Julho. Em Outubro nasceria a criança.

Mas onde encontrar um estábulo? Só se fosse para uma fazenda do interior de Minas Gerais. Então resolveu ir a fazenda da tia Mininha. O que a preocupava é que a criança não nasceria em vinte e cinco de Dezembro. Ia à igreja todos os dias e, mesmo barriguda, ficava horas ajoelhada. Como madrinha do filho escolhera a Virgem Maria. E para padrinho o Cristo. E assim foi se passando o tempo. Maria das Dores engordara brutalmente e tinha desejos estranhos. Como o de comer uvas geladas. São José foi com ela para a fazenda. E lá fazia seus trabalhos de marcenaria. Um dia Maria das Dores empanturrou-se demais – vomitou muito e chorou. E pensou: começou a via crucis do meu sagrado filho. Mas parecia-lhe que, se desse a criança o nome de Jesus, ele seria, quando homem, crucificado. Era melhor dar-lhe o nome de Emmanuel. Nome simples. Nome bom.

Esperava Emmanuel sentada debaixo de urna jabuticabeira. E pensava:

– Quando chegar a hora, não vou gritar, vou só dizer: ai Jesus!

E comia jabuticabas. Empanturrava-se a mãe de Jesus.

A tia — a par de tudo — preparava o quarto com cortinas azuis. O estábulo estava ali com seu cheiro bom de estrume e suas vacas. De noite Maria das Dores olhava para o céu estrelado a procura da estrela-guia. Quem seriam os três reis magos? quem lhe traria Incenso e mirra? Dava longos passeios porque a médica lhe recomendara caminhar muito. São José deixara crescer a barba grisalha e os longos cabelos chegavam-lhe aos ombros. Era difícil esperar. O tempo não passava. A tia fazia-lhes, para o café da manhã,, brevidades que se desmanchavam na boca. E o frio deixava-lhes as mãos vermelhas e duras.

De noite acendiam a lareira e ficavam sentados ali a se esquentarem. São José arranjava para si um cajado. E, como não mudava de roupa, tinha um cheiro sufocante. Sua túnica era de estopa. Ele tomava vinho junto da lareira. Maria das Dores tomava grosso leite branco, com o terço na mão.

De manhã bem cedo ia espiar as vacas no estábulo. As vacas mugiam. Maria das Dores sorria-lhes. Todos humildes vacas e mulher. Maria das Dores a ponto de chorar. Ajeitava as palhas no chão, preparando lugar onde se deitar quando chegasse a hora. A hora da iluminação.

São José, com o seu cajado, ia meditar na montanha. A tia preparava lombinho de porco e todos comiam danadamente. E a criança nada de nascer.

Até que numa noite, as três horas da madrugada, Maria das Dores sentiu a primeira dor. Acendeu a lamparina, acordou São José, acordou a tia. Vestiram-se. E com um archote iluminando-lhes o caminho, dirigiram-se através das árvores para o estábulo. Uma grossa estrela faiscava no céu negro.

As vacas, acordadas, ficaram inquietas, começaram a mugir Daí a pouco nova dor. Maria das Dores mordeu a própria para não gritar. E não amanhecia.

São José tremia de frio. Maria das Dores, deitada na palha, um cobertor, aguardava.

Então veio urna dor forte demais. Ai Jesus, gemeu Maria das Dores. Ai Jesus,pareciam mugir as vacas.

As estrelas no céu.

Então aconteceu.

Nasceu Emmanuel.

E o estábulo pareceu iluminar-se todo.

Era um forte e belo menino que deu um berro na madrugada.

São José cortou o cordão umbilical. E a mãe sorria. A tia chorava.

Não se sabe se essa criança teve que passar pela via crucis. Todos passam.

Clarice Lispector
Via Crucis

Visitem: PROJETO CLARICE

15 de dezembro de 2010

o VeRBo é? …

por lnbrandao

O que dar nome as coisas, designa uma ocorrência ou situação. Todas as “coisas” tem um nome, por tanto toda “coisa” é um verbo? Não, é um substantivo. Nucleo principal de um idioma, o verbo, determina o tipo do predicado, que nunca vamos saber quem é, sempre teremos duvida. Designa uma ação (como no caso do nome deste blog), estado ou fenômeno da natureza. Chover é verbo, chuva não…

Os Verbos designam ações voluntárias causadas por um ou mais individuos, e que afetam outros individuos ou alguma “coisa”, exigindo um ou mais objetos na ação. Podendo ser direto quando você não precisar usar nenhuma preposição depois do que foi dito ou indireto quando sempre depois do verbo tem uma preposição: não era isso… não era assim… ou… pode ser assim? Ou pode ser indireto e indereto quando os objetos usados não são o suficientes para especificar nada. Como quando depois de uma longa e demorada vida compartilhada se percebe que se precisa passar direto para uma outra que indiretamente lhe dirá… que não é bem isso que você esta pensando…

Podem ser intransitivos, quando se transita pra dentro de si e não se afeta os outros indivduos. Pessoas que escolheram a solidão por escolha ou resignação, comportam-se para dentro de forma “in”transitiva (meio coletivo de si para si) ex: andar, existir, nadar, voar, sonhar… Mas podem também ligar um sujeito ao predicativo, presupondo uma ligação direta entre as ações, mas não designam ações, ex.  ser, estar, parecer, permanecer, continuar, torna-se, ficar, viver… E potem ser completamente impessoais, sem nenhum tipo de ação volutária, geralmente (mas nem sempre) relaciona-se com os fenômenos da natureza, é sem sujeito e sem objeto na oração, ex. amar, chover, anoitecer, haver (no sentido de existência)…

Verbos de primeira conjugação são terminados em “ar”, amar, olhar, sonhar, esperar, abraçar, cantar, amargar, largar, saltar e voltar tudo de novo o tempo todo, deve estar sempre em primeiro plano. Os de segunda importancia (conjugação) são os terminados em “er”, receber, um dia ter, querer, nunca ter, tentar fazer, escolher, perder… tem aqueles anômalos terminados em “o”, pôr, depor, supor, transpor, antepor, geralmente (mas nem sempre) rimam com dor. E os que por ultimos passam pela nossa cabeça são os de terceira instancia (conjugação) terminados em “ir”, não mais sorrir, se iludir, cair, abrir a porta e fugir…

Os verbos regulares flexiona sempre de acordo com a conjugação, são aqueles que continuam firmes e imutaveis nas sua forma mesmo que o mundo caia. Os irregulares sofrem modificações no radical e nas terminações: eu não caibo mais em sua vida… Os anômalos são dificeis de se conjugar corretamente, não seguem paradgmas e muitas vezes o radical é diferente em cada conjugação: Eu sou… Tu és. O verbo “por” é anômalo, pertence a segunda conjugação a começar pelo proprio infinitivo…

Existe também os defectivos, aqueles que não tem uma ou mais forma de ser conjugada, como precaver… Tem os abundantes que já apresentam mais de uma forma de conjugação, encher, enchido, cheio….

Flexionam-se em numero, singular (um) e plural (mais de um), as vezes conjugamos no plural aquilo que deveria permanecer no singular, nunca nos contentamos com um eu… sempre queremos o nós… . Também flexiona-se enquanto pessoa, a primeira (transmissor), segunda (receptor), terceira (a mensagem), assim como em numeros essa flexão pode ser modificada e muitas vezes o receptor se distancia do transmissor e torna-se mensagem. Como modo. indicativo, subjuntivo e imperativo alem das formas nominais (infinitivo, gerúndio e particípio). Em tempo, pretérito perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito; futuro do presente e do pretérito e o presente nunca perfeito ou imperfeito, apenas é… Voz, ativa, passiva (analítica ou sintética), reflexiva…

O vErbO É ? …

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